quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Estação da saudade


Está chovendo forte do lado de fora, assim como as goteiras tem permitido chover sempre do lado de dentro. E assim quase me afogo em lágrimas, mas não necessariamente lágrimas de tristeza. Ouvi de um amigo esses dias, algo que por muito tempo não escutava: “quem está na chuva, é para se molhar” e assim o fiz. Joguei-me na chuva e permiti que minhas lágrimas se confundissem com a água da chuva que caia e lavava minha alma, foi assim que por um motivo bobo abri um sorriso e sai correndo pelos trilhos... é que olhei para frente e vi grandes amigos me esperando, não sei se velhos, não sei se novos, mas assim os reconheci, então como um trem bala sai ao alcance daqueles que são capazes de extrair o melhor de mim, mas no final das contas não havia ninguém no terminal, e assim a luz no final do túnel parecia que já ia se esgotando quando lembrei-me deles um dia me jurando amizade eterna e falando que sempre estariam perto quando fosse necessário. Não sei como, mas olhando em volta notei que o túnel se chamava saudade e que aquelas pessoas assim como eu mantinham as mesmas recordações e uma história sem fim. Que o tempo me traga os velhos amigos de volta e conserve os novos com a mesma força que tenho tido para continuar vivendo todos os dias.

MELO


terça-feira, 8 de novembro de 2011

O despertador




Hoje decidi acordar antes que o relógio pudesse me atormentar, lembrando-me de tudo que devo fazer. Hoje é um dia diferente... Acordei querendo fazer tudo desigual, da maneira que nunca tive coragem, mas que sempre desejei.  Colocaram-me nome de santo, mas quem disse que é assim que me reconheço?  Sou humano e assim como você tenho tido uma vida humana, mesmo que ela não tenha sido ideal, ainda assim continuará sendo a minha história, a história dos meus sonhos, das minhas alegrias, das minhas tristezas. Não quero atormentar ninguém com o meu desespero, afinal essa é a minha vida, mas devo afirmar que minha boca se cala, mas minha mente grita... Pena ninguém poder ouvir, são gritos mudos de uma alma perturbada que sangra e chora, mas meus olhos são incapazes de derramar uma única lágrima. É neste momento que minha mudez vai embora e aquilo que a boca é incapaz de ditar, fica registrado na memória virtual desse arquivo e de quem mais ler.  E assim, na incoerência do sentido expresso por essas palavras é que vou embora, fazer meu dia mudar, fazê-lo melhor e da maneira que sempre sonhei: sem dor, sem sofrimento, sem obrigações e sem desespero.  São 8:00 AM, e acabo de ser acordado pelo meu despertador.


MELO